Concurso Professor Bahia 2014

By | 28 de outubro de 2013

Ao longo do ano de 2013 os concurseiros professores do Estado da Bahia tiveram boas evidências de que um concurso para os quadros permanentes da SEC-BA não irá mesmo demorar. Foram publicados dois editais para o magistério estadual, com oferta significativa de 2,6 mil vagas pelo REDA, em agosto de 2013. Esta é mais uma demonstração de que provavelmente nos idos de 2014 um grande concurso volte a acontecer.

Mas acalme-se, leitor!! O Faça Concursos não está anunciando um novo concurso para o magistério do Estado da Bahia em 2014. Pelo menos ainda. É que, considerando alguns aspectos do último concurso e esta liberação dos editais para o REDA de agora (agosto de 2013), podemos sim para traçar um breve prognóstico sobre o novo certame. Vejamos os dados
concretos.

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O último concurso público para professor a rede estadual de ensino baiana foi realizado, como sabemos, em 2010, com aplicação de provas objetivas e discursivas em janeiro de 2011, formuladas pela banca do Cespe/UnB.  A oferta foi de 3,2 mil vagas, oferecidas por Diretoria Regional de Educação (Direc), polo e disciplina pelos quais o candidato optou no ato da inscrição. Osvaldo Barreto, secretário da Pasta, disse na época que “as vagas do concurso [seriam] preenchidas conforme as regras estabelecidas em edital, levando em consideração os polos regionais e disciplinas, a partir de junho deste ano [no caso, 2011]”. O Secretário da Administração, Manoel Vitório, informou por sua vez, “que o efetivo a ser convocado [iria] considerar a substituição dos contratos Reda”: “Realizamos
este concurso a partir de amplo levantamento de necessidades na rede da Educação e a diretriz é substituir os contratos Reda existentes”, comentou.

A nossa esperança por um novo concurso provavelmente em 2014 tem pelo menos duas razões: a primeira é que o atual concurso está prestes a dar seu último fôlego de validade. Sabemos que o certame SEC 2010 foi prorrogado em 28/05/2012, pois só tinha validade 12 meses e podia ser prorrogado por mais 12. Assim, ele expirou em 28 de maio de 2013.

Abrindo um parêntesis aqui, é preciso lembrar que o processo seletivo para o REDA aberto em agosto de 2013 servirá para suprir temporariamente o quadro, que está deficitário, até que a SEC elabore as estratégias adequadas para a realização de um novo concurso, sendo a principal delas o levantamento
das reais carências de efetivo no Estado.

Lembremos também que os professores substitutos (os chamados PSTs) não estão dando conta das demandas do Estado. Muitos PSTs não são sequer “estimulados” a trabalhar nas escolas por razões financeiras: geralmente, o Estado não realiza os pagamentos em dia, o que dificulta muito a logística de muitos substitutos, que ainda estão enfrentando as aulas da graduação e acabam desgastados.

Por outro lado, dirigentes de escolas e mesmo professores efetivos também alegam a relativa falta de qualidade na formação de muitos PSTs que acabam sendo encaminhados para as unidades escolares. Muitos deles são oriundos de formações à distâncias (famosas graduações EAD) e de instituições privadas ou públicas que estão deixando a desejar no que se refira à bagagem intelectual necessária para enfrentar as salas de aulas.

A segunda razão é justamente o que o secretário da SEC, Osvaldo
Barreto, disse
um dia (em 2011), quando estava participando do 4º Fórum da União Nacional dos Dirigentes Municipais (Undime): para ele, segundo a imprensa, “a baixa atratividade da carreira docente [havia causado] a falta de professores no último concurso do Estado. Segundo [Barreto], das 13 áreas em que se queria contratar docentes, 7 não tiveram nenhum aprovado em alguns municípios.

Ora, se dos 45 mil inscritos, apenas 5.003 conseguiram atingir a nota mínima, que significa estar habilitado a ser convocado seguindo a ordem de classificação, logo, se pode concluir que a demanda por docentes no Estado continuou existindo de lá para cá, embora o governo tivesse garantido que aproveitaria todos os 5.003 habilitados. Se bem que, os dados apontavam que em alguns municípios não houve habilitados para convocar e foi preciso o governo dividir o Estado em subáreas de até três cidades, pois “das 135 regiões formadas,
a maioria não tem aprovado em pelo menos 5 das disciplinas básicas da Educação. Muitas não tiveram habilitado em sete áreas”, disse o secretário, lamentando a falta de docentes para lecionar biologia, química, física e matemática.

À época o secretário explicou a razão desse volume inesperado de reprovações: segundo ele, isso era “reflexo do ‘fundo do poço’ a que a carreira do professor chegou. Os jovens não querem ser professores, então quando a gente fala em valorização da carreira, é isso também e não só o salário, a gente vai ter que lidar cada vez mais com este problema”.

Em parte isso é a mais pura verdade. Existe uma desvalorização nacional do magistério, por mais relevante para a sociedade que seja a profissão de professor. O próprio concurso de 2010 era exemplo claro da incapacidade do Estado de pagar bem a um professor, pois oferecia salário base de R$ 654,32, mais 31,18% de gratificação de estímulo à atividade classe,
totalizando a remuneração de R$ 858,34, para um professor de 20 horas semanais. Por mais que saibamos que, à medida que o docente vá acumulando tempo de serviço e se qualificando tenda a ter certo grau de reconhecimento na carreira, ainda assim, não é esta a valorização que os professores querem ter.

Outro motivo pode estar o fato de que, para se obter um número tão considerável de reprovados, foi grande a falta de preparação elementar dos candidatos, ou de boa parte desses 45 mil inscritos. É provável que muito licenciado tenha participado sem estudar coisa alguma (confiando na sua “bagagem”), e que muito treineiro graduando nas licenciaturas também tenha feito isso.

As pessoas poderiam até pensar que outro motivo tenha sido a organizadora Cespe/UnB, já nacionalmente conhecida por seu estilo às vezes duríssimo de pontuar as provas (um ponto positivo para questões certas, um ponto negativo para as erradas e zero ponto para as não marcadas ou
marcadas duplamente). Mas este não foi o caso dessa prova do magistério baiano, que simplesmente fez o que tradicionalmente já fazem outras bancas:

“A nota em cada questão das provas objetivas, feita com base nas marcações na folha de respostas, será igual a: 1,00 ponto caso a resposta do candidato esteja em concordância com o gabarito oficial definitivo da prova; 0,00 ponto, caso a resposta do candidato esteja em discordância com o gabarito oficial definitivo da prova; ou não haja marcação ou haja mais de uma marcação”.(EDITAL SEC 2010, item 11.1.1).

Agora é com você, professor. Caso tenha disponibilidade, pense em adiantar seus estudos, pois o certame irá acontecer em breve.

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